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– Enviado em 23/05/2014

Jovens empresários concluem que alta carga tributária é resultado da omissão política

Em debate realizado na noite de ontem (22) pela CDL Jovem, convidados avaliam que reforma tributária e política é primordial para desenvolvimento do Brasil, porém se depender de vontade política elas não vão ocorrer

O Brasil é o pior colocado no ranking de retorno dos impostos à população, segundo pesquisa com os 30 países com a maior carga tributária do mundo. Estados Unidos, Austrália e Coreia do Sul são os países que melhor aplicam os tributos arrecadados. Já o Brasil está em último lugar, atrás de vizinhos como Argentina e Uruguai. O País ainda ocupa a 85ª posição no último (2012) ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU). A estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos a nível nacional. Diante desta realidade, a Câmara de Desenvolvimento Lojista Jovem (CDL Jovem) de Caxias do Sul promoveu o 3º debate sobre o retorno dos tributos aos brasileiros, engajada na Campanha Mais Brasil Menos Impostos da Confederação Nacional da Câmara de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Estudantes da Faculdade da Serra Gaúcha e caxienses ocuparam o auditório da instituição na noite de quinta-feira (22) para ouvir as opiniões dos convidados: o empresário e presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Jaime Lorandi; o economista e consultor com especialidade em recuperação de empresas Cláudio Branchieri; o vice-presidente da Fecomércio e empresário Ivanir Gasparin; e o advogado e contador Julian Bianchini.

Inicialmente, os debatedores responderam questionamentos sobre o tema formulados pelo jornalista Alessandro Valim, posteriormente posicionaram-se a partir de perguntas do público presente.

Foi consenso entre eles que não há um efetivo retorno por parte dos governos dos impostos pagos. Na opinião do empresário Jaime Lorandi, em uma sociedade ética existem cinco áreas prioritárias para o Poder Público: educação, saúde, segurança, assistência (para pessoas em situação de dificuldade) e infraestrutura, o resto é somente administração dos impostos. "O Brasil gera três trilhões e setecentos bilhões de riquezas. Esse dinheiro está sendo usando para isso? Sabemos que não. Hoje o investimento está mais na administração dos recursos, ou seja, no custo da máquina pública, do que propriamente nos serviços à população", pontuou.

O economista Cláudio Branchieri argumentou que não adianta a população querer o padrão de qualidade dos serviços de primeiro mundo, porque o País não produz renda suficiente para isso. "Nosso erro é invertermos as prioridades. Nós queremos saúde, educação e segurança, enquanto deveríamos cobrar eficiência e crescimento. Às vezes é preciso sacrificar uma geração", afirmou.

O empresário Ivanir Gasparin fez vários desabafos em nome da classe empresarial. Ele declarou que os empresários estão cansados, não apenas pela alta carga tributaria, mas também pelo excesso de burocracia, que onera e limita o crescimento dos negócios.

O contador e advogado Julian Bianchini acrescentou que a máquina pública é grande, inchada e se autoalimenta. Para ele, a simplificação dos impostos é vital para a sobrevivência das empresas, porque o excesso de tributação e burocracia gera uma perda de tempo e, consequentemente, de competitividade.
Jaime fez uma breve pesquisa com os participantes do encontro. Após constatar que 60% deles alimentam o desejo de abrir um negócio próprio, o empresário alertou para um impacto social importante da realidade econômica brasileira. "O sistema atual está matando o sonho de vocês. O governo está acabando com o empreendedorismo no Brasil", lamentou.

Os convidados concordaram que não há perspectivas hoje de redução dos tributos e que a situação tende a se agravar, uma vez que ao invés de gerar um ambiente favorável para a criação de novos negócios com encargos menores, a política econômica da União trabalha com a velha fórmula de aumentar a carga sobre os existentes para ampliar a arrecadação.

Ivanir chamou a atenção para o custo da folha de pagamento do Estado do Rio Grande do Sul. Na visão dele, existem duas castas no Estado: a dos servidores do Estado, com seus altos salários e prédios luxuosos, e a dos funcionários públicos (professores, brigadianos, etc) com seus baixos salários e estruturas precárias. Cláudio complementou dizendo que o RS corre o risco de se tornar uma Grécia no futuro, porque gasta 70% da arrecadação com salários, esse custo, em sua maioria, é com servidores aposentados.

Todos defenderam a necessidade urgente de uma reforma tributária e política, porém, não acreditam que elas aconteçam, tendo em vista que haverá perdas para a classe política. Na avaliação deles, uma Constituinte Exclusiva poderia ser uma alternativa para os ajustes que o Brasil está precisando em termos de legislação.

Qual é o caminho?
Jaime defendeu que é preciso aumentar a participação da população, de forma pacífica, com liderança e foco para que aconteçam mudanças no longo prazo. Ele acredita que os empresários precisam iniciar esse processo de liderança –não político-partidária, mas de cidadania ética – dentro de suas empresas esclarecendo e informando os funcionários que compõem a classe média, ou seja, que são os principais prejudicados pela alta carga tributária.
Cláudio definiu que não há nada pior do que ceifar o homem de seus sonhos. Para ele, a carga tributária é o ponto da lança. "O empreendedorismo não é bem visto aqui. Por que nós aceitamos isso? Por que a gente pede direitos quando deveria pedir liberdade?", refletiu.
Ivanir queixou-se da desunião dos empresários e do desinteresse geral da população pela política. Segundo ele, enquanto as pessoas não despertarem, nada vai mudar.

Julian concluiu o debate sinalizando que a omissão é o grande problema do Brasil. "Enquanto os empresários estão dentro de suas empresas assoberbados cumprindo todas as obrigações legais, o Estado e a união são conduzidos por políticos profissionais. Para cobrar com coerência e competência temos que pesquisar e discutir mais esse assunto que interessa a todos nós, enquanto sociedade", frisou.

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