Termômetro de Vendas Outubro de 2007

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CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS DE CAXIAS DO SUL
SINDILOJAS DE CAXIAS DO SUL

Presidentes
José Quadros dos Santos
Ivanir Gasparin

Departamento de Economia e Estatística
Miguel Frederico Fortes - Diretor
Sirlei Bertollo
Fabrício Mateus Bazzo

Termômetro de Vendas Outubro de 2007

Ramo/Setor Sobre Set 2007 Sobre Out 2006 Acum. no ano Acum. 12 meses
Ferragens 10,95 15,25 1,27 2,84
Máquinas Equip. p/ Escritório e Informática 9,42 97,68 48,05 42,71
Automóveis, Caminhões e Autopeças Novos 19,12 45,63 20,42 14,69
Óticas e Joalherias 9,34 3,73 4,72 1,03
Materiais de Construção 7,99 (4,86) (15,46) (14,55)
Materiais Elétricos 20,28 20,48 11,24 10,60
Eletrodomésticos, Móveis e Bazar 4,69 (5,72) (0,14) (1,32)
TOTAL RAMO DURO 14,23 26,68 12,53 8,90
Vestuário Calçados e Tecidos 15,32 1,59 5,20 3,53
Produtos Químicos e Farmácias 3,44 19,85 12,84 (0,61)
Livrarias, Papelarias e Brinquedos 22,92 12,93 3,25 3,06
TOTAL RAMO MOLE 10,53 9,90 3,99 1,98
COMÉRCIO GERAL 13,19 21,60 9,95 6,79

As vendas do comércio caxiense foram deflacionadas pelo IGP-DI da FGV, que no mês de outubro foi de 0,75% e no acumulado do ano até outubro é de 5,26% e de 12 meses 6,32%.

O desempenho das vendas do comércio de Caxias do Sul em outubro de 2007 foi o melhor dos últimos cinco anos. Para que possamos perceber o quão significativamente positivo foi este resultado apresentamos a seguinte tabela comparativa dos últimos cinco anos:

Relação 2007 (%) 2006 (%) 2005 (%) 2004 (%) 2003 (%)
Mês anterior 13,19 1,23 (1,01) 3,52 7,24
Mês ano anterior 21,60 3,26 1,76 0,08 (4,64)
Acumulado ano 9,95 1,92 1,07 6,17 (8,18)
Acumulado 12 meses 6,79 1,13 2,36 6,40 (7,19)

Em todas as comparações esse desempenho é superior, sendo que especialmente a comparação com setembro de 2007, 13,19% é 10,72 vezes maior do que a de 2006, e a comparação com outubro de 2006, 21,60%, é 6,62 vezes superior, nos evidenciam esta diferença positiva.

Os setores com maior desempenho positivo foram:

a) Máquinas e Equipamentos para Escritório: 97,68%, uma das surpresas positivas do ano, com forte crescimento durante todo o ano de 2007. Num primeiro momento até pensamos que era um fenômeno sazonal, mas veio a se mostrar como tendência do ano, haja vistas que já tem um desempenho positivo acumulado no ano de 48,05%.

b) Automóveis: 45,63%, se o segmento anterior apresenta características locais, este é um dos fenômenos nacionais de 2007, já tendo um acumulado no ano de 20,42%, mais do que o dobro do desempenho do comércio em geral. A estimativa é que feche o ano próximo a 30% de crescimento.

c) Materiais Elétricos: 20,48%, se aqui juntarmos a ferragens, 15,25%, veremos que são os segmentos comerciais ligados a casa/construção que apresentam resultado positivo.

d) Produtos Químicos: 19,85%, setor que vem em recuperação depois de drástica queda em 2006, prova disso é que apesar do crescimento acumulado no ano de 12,84%, no resultado de 12 meses ainda é negativo (0,61%).

e) Livrarias, Papel e Brinquedos: 12,93%, setor que vinha em desempenho bem mais modesto, 3,25% no ano, mas com forte empuxo sobre setembro/2007, 12,93%, provavelmente devido ao apontado nas pesquisas realizadas pela CDL de Caxias do Sul da volta do item brinquedos como forte componente de compras. Lembrando que em outubro houve o dia da criança. Mas a mesma tendência se mostrou presente na pesquisa de Natal.

Os setores com menor desempenho foram:

a) Eletrodomésticos, Móveis e Bazar: (5,72%), o grande campeão de vendas de 2003 a 2006 durante todo 2007 viu seu desempenho decrescer, o que o levou a no ano ter um acumulado negativo de (0,14%). As opções de crédito expandidas a outros segmentos roubaram talvez aquele que fosse o seu principal diferencial competitivo, a isto se some a saturação devido a excesso de crescimento em relação a evolução do mercado como um todo.

b) Materiais de Construção: (4,86%), tendência já percebida em todo o ano.

c) Vestuário, Calçados e Tecidos: 1,59%, desempenho bem modesto, embora positivo, quando comparado aos resultados do inverno. Mas também aqui, a semelhança do que aconteceu no inverno, tem reflexos de sazonalidade climática, pois ainda o clima se mantém frio, não estimulando a compra de produtos de clima mais ameno e mais quente, que são justamente os produtos que estão em exposição nas lojas.

d) Óticas e Joalherias: 3,73%, este é um desempenho constante desde segmento, que apresenta picos mais significativos quando em datas de sugestão de presentes deste setor.

Mês x Mês ano anterior

Gráfico 1 - desempenho em relação ao mesmo mês no ano anterior

12 meses

Gráfico 2 - desempenho acumulado em relação aos últimos doze meses

Empregos e salários

Ramo/Setor Cresc. Real s/mês anter. Cresc. Real s/mês ano ant.
Ferragens (8,70) 10,53
Máquinas e Equipamentos para Escritório (4,17) 21,05
Automóveis, Caminhões e Autopeças 0,33 5,90
Óticase Joalherias (7,14) (3,70)
Materiais de Construção (1,39) (4,05)
Materiais Elétricos 4,55 15,00
Eletrodomésticos, Móveis e Bazar 1,40 2,27
RAMO DURO 0,24 4,02
Vestuário e Calçados 0,50 (3,85)
Produtos Químicos e Farmácias (0,27) 10,48
Livrarias, Papelarias e Brinquedos 6,31 0,00
RAMO MOLE 0,91 2,19
COMÉRCIO GERAL 0,58 3,08

Analisemos a próxima tabela de comparação dos empregos formais de Caxias do Sul para tentarmos entender o que esta acontecendo:

Setor Outubro 2007 Outubro 2006 Evolução %
Indústria 78.209 70.283 11,28
Comércio 20.808 19.586 6,24
Serviços 42.180 39.916 5,67
Total 141.197 129.785 8,79

Algumas observações:

Caxias do Sul, que pelo IBGE, tem uma população de 412 mil habitantes, apresenta 34,27% de sua população empregada formalmente. Se somarmos a isto os proprietários das empresas da cidade (cerca de 31 mil), 49,31% dos habitantes da cidade estão formalmente trabalhando nas empresas das cidades. O que, certamente é um dos percentuais mais altos do país, se não for o mais alto.

É óbvio que cálculos mais precisos são necessários, pois parte desses trabalhadores vêem de outras cidades, mas também trabalhadores daqui trabalham em outras cidades. Também devem ser levados em conta os profissionais liberais, funcionários públicos e aposentados (que são cerca de 70 mil).

Mas a conclusão é clara, a cidade tem um ótimo desempenho em relação a empregos gerados. A indústria cresceu fortemente, 11,28%, e o comércio, começa a dar sinais de maior empuxo de crescimento, tendo no quesito percentual de crescimento superado os serviços, embora na comparação ainda empregue menos.

Inadimplência

Mês/Ano Categoria Reg. Valor Canc. Valor Dif. +(-)
Out/06 Cheque 2.858 640.947 1.369 274.857 366.090
SPC 5.002 2.321.724 2.253 485.801 1.835.923
Subtotal 1 7.860 2.962.671 3.622 760.658 2.202.013
Out/07 Cheque 2.220 546.954 1.223 275.691 271.263
SPC 5.076 1.228.318 4.035 1.028.069 200.249
Subtotal 2 7.296 1.775.272 5.258 1.303.760 471.512
Total (564) (1.187.400) 1.636 543.102 (1.730.501)

A inadimplência em Caxias do Sul, continuando a tendência do ano, diminuiu 7,17% em relação a outubro de 2006 em números de casos, e 40,00% em valor.

No mesmo período a recuperação de crédito cresceu 71,40%, embora tenha diminuído em valores.

As consultas de crédito continuam crescendo na ordem de 20% em relação ao ano anterior.

Comentários Finais

A economia de Caxias do Sul apresenta forte crescimento, já mostramos isto na análise do comércio e da geração de empregos. Acrescentamos uma tabela comparativa dos setores para a melhor percepção do quadro:

Setor Set. 2007 (%) Out. 2006 (%) Acm ano (%) Acm.12 mes. (%)
Indústria 6,20 14,56 8,15 7,58
Serviços (10,33) 12,40 15,36 14,56
Comércio 13,19 21,60 9,95 6,79

O comércio apresentou o melhor desempenho do mês, na comparação com os outros setores, tendo um surpreendente crescimento de 13,19%. No acumulado do ano já supera o percentual de crescimento da indústria e no acumulado em 12 meses já se aproxima. A se manter as atuais condições o comércio deve crescer de 12 a 15% no ano de 2007.

Além do desempenho de faturamento, as informações de empregos gerados e de crédito, com diminuição da inadimplência, crescimento da recuperação, e forte crescimento dos capitais disponíveis para crédito, além das informações da pesquisa de final de ano realizada pela CDL de Caxias do Sul que apresentou crescimento do número de pessoas que desejam efetuar compras no final do ano e aumento do valor desejado de compra, sinaliza um final de ano com forte crescimento.

Existem, porém, duas sombras no horizonte:

a) o crescimento da inflação que já é de 5,26% no ano (embora no acumulado de doze meses tenha diminuído, em setembro foi de 6,38%, e agora em outubro foi de 6,32% ).

b) o alto nível de atividade de crédito que tende a chegar perto do limiar de esgotamento. Com mais de 90% da massa salarial brasileira comprometida com endividamentos, com os altos volumes de créditos utilizados em bens duráveis, como automóveis e habitação, que significam comprometimentos de longo prazo, e com o grande volume de capital destinado a operações de crédito para consumo neste final do ano (cerca de R$ 90 bilhões), existe uma forte possibilidade de retração de crédito, e, conseqüentemente, de consumo nos próximos meses.

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