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Presidente
José Quadros dos Santos
Departamento de Economia e Estatística
Miguel Frederico Fortes - Diretor
Sirlei Bertollo
| Ramo/Setor | Sobre Jan 2008 | Sobre Fev 2007 | Acum. no ano | Acum. 12 meses |
|---|---|---|---|---|
| Ferragens | (0,57) | 1,46 | 0,05 | (0,28) |
| Máquinas Equip. p/ Escritório e Informática | (24,74) | 47,80 | 57,47 | 56,17 |
| Automóveis, Caminhões e Autopeças Novos | (5,71) | 32,48 | 29,86 | 22,62 |
| Óticas e Joalherias | 24,54 | (2,62) | (8,71) | 0,45 |
| Materiais de Construção | (0,09) | 2,27 | 3,64 | (9,65) |
| Materiais Elétricos | 3,28 | 42,71 | 41,10 | 24,20 |
| Eletrodomésticos, Móveis e Bazar | 14,10 | 26,44 | 9,33 | (3,54) |
| TOTAL RAMO DURO | (6,44) | 29,46 | 22,66 | 13,86 |
| Vestuário Calçados e Tecidos | (41,20) | (12,82) | 24,08 | 3,67 |
| Produtos Químicos e Farmácias | (14,74) | (1,31) | (0,64) | 4,36 |
| Livrarias, Papelarias e Brinquedos | 42,60 | (1,98) | 5,09 | 4,23 |
| TOTAL RAMO MOLE | (16,21) | (5,86) | 10,40 | 3,99 |
| COMÉRCIO GERAL | (4,94) | 17,66 | 18,89 | 10,87 |
As vendas do comércio caxiense foram deflacionadas pelo IGP-DI da FGV, que no mês de fevereiro foi de 0,38% e no acumulado dos últimos 12 meses de 8,66%.
O comércio de Caxias do Sul obteve um crescimento em fevereiro de 2008 de 17,66% em relação ao mesmo mês de 2007. Esse desempenho positivo é exclusivamente ao Ramo Duro, que cresceu 29,46%, enquanto o Ramo Mole teve uma queda de 5,86%. Este é um resultado muito expressivo, embora seja inferior ao de janeiro, quando o crescimento foi de 20,08%, mês onde tanto o Ramo Duro teve crescimento, 16,51%, quanto o Ramo Mole, 29,17%. Isto se demonstra em ter fevereiro de 2008 um decréscimo de (4,94%) em relação a janeiro de 2008. O acumulado do ano já alcança 18,89%, e o de 12 meses 10,87%, levemente superior ao resultado de janeiro que foi no acumulado de 12 meses de 10,42%.
Alguns setores chamam a atenção pelo expressivo crescimento: Máquinas e Equipamentos para Escritório, 47,80%; Materiais Elétricos, 42,71%; Automóveis, Caminhões e Autopeças, 32,48%. Chama a atenção que Materiais de Construção pelo segundo mês tiveram resultado positivo, mesmo que pequeno 2,27%, continua na esteira de janeiro, quanto teve o resultado de 5,06%, revertendo o ciclo de decréscimo apresentado durante todo o ano de 2007.
Fevereiro foi o mês do Liquida Caxias, promoção que este ano teve mais de 2,2 mil empresas participantes. A comparação com o ocorrido no mês de fevereiro de 2007 é positivo. Em 2007 houve um crescimento de 12,10%, sendo que os setores que mais cresceram foram de Veículos e Autopeças, 28,30%; Óticas e Joalherias, 17,78%; Vestuário, Calçados e Tecidos, 15,58%; e Eletrodomésticos, Móveis e Bazar, 11,36%. Neste ano de 2008 Óticas e Joalherias e Vestuário, Calçados e Tecidos não repetiram o bom desempenho positivo, por outro lado, Automóveis, Caminhões e Autopeças e Eletrodomésticos cresceram em desempenho. Cabe ressaltar que Eletrodomésticos voltaram a apresentar um crescimento realmente significativo, 26,44%, revertendo a tendência apresentada ao longo de 2007, e ainda em janeiro de 2008 de não crescimento e até mesmo de decréscimo.
Pesquisa realizada durante o Liquida Caxias 2008 apontou uma perspectiva de crescimento em 65% das lojas participantes e este de 15%. A análise do desempenho realizada pelo Termômetro de Vendas mostra que este crescimento foi maior, 17,66%, o que evidencia o sucesso da campanha e a coloca como o melhor resultado do Rio Grande do Sul. O que confirma a posição de destaque que a cidade ocupa no cenário comercial do Estado. Pesquisa divulgada pela Fecomércio-RS na semana passada mostrou que em janeiro de 2008 o comércio do RS cresceu 8,7%, da Região Metropolitana de Porto Alegre 6,6%, enquanto que o crescimento de Caxias do Sul foi de 20,08%.
Gráfico 1 - desempenho em relação ao mesmo mês no ano anterior
Gráfico 2 - desempenho acumulado em relação aos últimos doze meses
| Ramo/Setor | Cresc. Real s/mês anter. | Cresc. Real s/mês ano ant. |
|---|---|---|
| Ferragens | 0,00 | 9,52 |
| Máquinas e Equipamentos para Escritório | 8,70 | 47,06 |
| Automóveis, Caminhões e Autopeças | 0,32 | 8,71 |
| Óticas e Joalherias | (3,45) | 3,70 |
| Materiais de Construção | (1,52) | (12,16) |
| Materiais Elétricos | 2,13 | 14,29 |
| Eletrodomésticos, Móveis e Bazar | 4,83 | 10,48 |
| RAMO DURO | 2,23 | 8,48 |
| Vestuário e Calçados | (1,34) | (13,38) |
| Produtos Químicos e Farmácias | 1,08 | 6,88 |
| Livrarias, Papelarias e Brinquedos | 3,08 | (4,96) |
| RAMO MOLE | 0,34 | (4,37) |
| COMÉRCIO GERAL | 1,28 | 1,63 |
O comércio de Caxias do Sul teve crescimento na geração de emprego de 1,63%, tendo crescido em relação também em relação a janeiro de 2008, + 1,28. Este crescimento esta se mostrando mais positivo justamente naqueles segmentos que mostram melhor desempenho comercial, com raras exceções.
| Mês/Ano | Categoria | Registros | Valor | Cancelam. | Valor | Diferença +(-) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Fev/07 | Cheque | 1.972 | 488.127 | 1.348 | 276.011 | 212.117 |
| SPC | 3.212 | 837.435 | 2.005 | 581.378 | 256.057 | |
| Subtotal 1 | 5.184 | 1.325.562 | 3.353 | 857.388 | 468.174 | |
| Fev/08 | Cheque | 1.825 | 412.600 | 908 | 214.794 | 197.806 |
| SPC | 4.938 | 894.035 | 4.335 | 902.853 | -8.818 | |
| Subtotal 2 | 6.763 | 1.306.635 | 5.243 | 1.117.648 | 188.988 | |
| Total | 1.579 | (18.927) | 1.890 | 260.259 | (279.186) | |
A inadimplência teve um crescimento de 30,46% em número de casos, mas uma queda de 1,43% em valor (montante). Em fevereiro de 2007 a dívida registrada média foi de R$ 255,70, ao passo que em fevereiro de 2008 foi de R$ 193,20%, uma queda de 24,44%. Em janeiro tivemos um resultado semelhante, embora superior, com um crescimento de 37% da inadimplência. Esse é um quadro diferente do apresentado durante todo o ano de 2007, que foi de queda da inadimplência, mas confirma as análises feitas e apresentadas no Termômetro de Vendas de outubro e novembro de 2007 que havia a tendência de forte elevação da inadimplência nos primeiros meses de 2008, isso por dois motivos que estão intimamente relacionados: o expressivo crescimento da atividade comercial e o expressivo volume de operações de crédito.
Note-se, também, que houve uma inversão no quadro de formação da inadimplência, com queda do número de registros de cheques, (7,45%), e forte crescimento nas demais operações (especialmente carnês), 53,73%. Isso reflete em parte a diminuição do uso de cheques nas operações de crédito, mas se mantendo constante o volume de operações de crédito realizadas pelas próprias lojas, cerca de 68% das operações.
O dado positivo é que houve um aumento do número de pessoas que recuperaram seu crédito, 56,37%, aumento superior em termos percentuais ao de inclusões. O resultado também é positivo em termos de valores, 30,35%. Isso fez com que mesmo com aumento significativo da inadimplência, o fluxo de movimento de inadimplência fosse positivo, tanto em número de casos, 19,70%, quanto de valor, 21,26%. Ou seja, na relação de fluxo estabelecido entre o número de pessoas que ficou devendo e o valor devido, e o número de pessoas que conseguiu quitar seus débitos e os valores pagos o resultado é positivo. Assim, embora tenha havido aumento real e significativo de casos de inadimplência, este foi menor em termos de valores devidos, em muito menor do que o número de pessoas que quitaram suas dívidas e dos valores por elas pagos. Se compararmos com o nível de crescimento da atividade econômica do período veremos que esses indicadores mostram um quadro mais positivo que negativo e que a atividade econômica não foi afetada ainda pela inadimplência.
A semana foi marcada pela discussão sobre a atividade de crédito para consumo no Brasil. Isso especialmente porque o ministro da Fazenda Guido Mantega teria afirmado ser necessário restringir as atividades de crédito para consumo, especialmente em alguns setores, como o automobilístico.
A análise da atividade de crédito para consumo precisa levar em conta alguns fatores:
Positivamente: o grau de alavancagem que proporciona a economia como um todo e sua capacidade de dar acesso a bens e serviços a uma maior parcela da população.
Negativamente: O aumento da inflação por criar mais demanda que a oferta, o aumento do endividamento das famílias.
Talvez, antes de tentarmos responder a essas perguntas, poderíamos ver o quanto tem crescido esta atividade de crédito no Brasil. Conforme o Banco Central o volume total das operações de crédito no sistema financeiro nacional atingiu R$ 932 bilhões em 2007, 27,30% a mais do que em 2006. Em fevereiro de 2008, esse volume superou a R$ 950 bilhões, e já representa pouco menos de 35% do PIB brasileiro. Durante anos, esse nível de operação de crédito foi inferior a 20% do PIB, e o governo chegou a ser responsável pelo uso de até 85% desse capital. Hoje já há uma inversão e a iniciativa privada e o crédito pessoal são responsáveis pelo maior volume deste crédito. Ou seja, tivemos um aumento expressivo do volume de crédito oferecido e de seu uso pela sociedade em geral.
Em 1994 o volume de recursos para crédito ao consumo era de cerca de R$ 55 milhões, hoje é superior a R$ 200 bilhões. Assim, o crédito para consumo representa aproximadamente 20% do volume de crédito total. Nos Estados Unidos o nível de operações de crédito é superior a 200% do PIB e o crédito para consumo representa 2/3 destas operações.
A partir de 2003 é que esses níveis de operações de crédito, especialmente de crédito ao consumo passaram a ter este aumento significativo. Nesse período, conforme a Febraban, o crédito pessoal cresceu 231%, o crédito para aquisição de bens 166%, cartão de crédito 165%, financiamento imobiliário 64% e cheque especial 45%, sendo que o volume de financiamentos para a casa própria em 2007 cresceu 96% em relação a 2006.
As atividades com crédito abundante e alongado são as que mais tem crescido, como a de Eletrodomésticos que em 2006 alcançou crescimentos de até 65%, e de Automóveis que em janeiro de 2008 teve um crescimento no Brasil de 40,6%. Em 1998 80% das compras de automóveis era à vista, agora 70% são financiadas.
A inadimplência em 2003, conforme o Banco Central, foi de 4,5%, em 2004 3,9%; em 2005 3,8%; em 2006 4,8%; em 2007, 4,7%. Isto mostra mais tendência de queda que de crescimento, embora seja verdade que em 2003, 23% da renda das famílias estava comprometida com endividamento, enquanto que agora esse número de aproxime de 100%. O comprometimento da renda das famílias aumentou, mas não a inadimplência, o que talvez signifique que a maior parte das famílias brasileiras esteja aprendendo rapidamente a lidar com crédito. Neste mesmo período a taxa Selic passou de 24% ao ano para 11,25%, também tendo diminuído os juros nas demais operações de crédito, embora não na mesma proporção.
A inflação medida pelo IGP-DI, que mede a atividade comercial, foi de 7,67% em 2003; 6,47% em 2004; 1,22% em 2005; 3,80% em 2006; 8,11% em 2007; enquanto a dos indicadores de elevação de custo ao consumidor oscilaram em torno de uma constante de 4%. Observa-se maior inflação nos anos de maior crescimento, a exceção de 2003.
Talvez seja difícil chegar a uma conclusão final, mas algumas respostas são claras:
1) É inegável que o aumento de crédito alavanca a atividade econômica, isto também é verdadeiro em relação ao crédito ao consumo, que responde numa velocidade muito rápida. A realidade americana mostra que o crédito ao consumo é o grande responsável pelo crescimento da atividade econômica interna de um país.
2) Menores taxas de juros e prazos mais alongados favorecem a atividade de crédito e levam ao aumento desta. Note-se que no Brasil em 2007 o dinheiro emprestado a pessoas físicas cresceu 33,1% em relação a 2006, alcançando R$ 316 bilhões.
3) Maiores volumes de crédito possibilitam que maior número de pessoas tenham acesso a um maior número de bens e serviços, prova disso é que hoje as classe C, D e E já correspondem a 50% do consumo de bens, antes não passavam de 20%.
4) Maior volume de crédito significa maior volume de endividamento das famílias. Aparentemente este maior volume de endividamento não chegou a um nível de não capacidade de pagamento.
5) maior volume de crédito tem relação direta com inflação, mas também com crescimento de atividade econômica.
Uma última consideração. Esse grande aumento de volume de atividade de crédito é uma tendência com fortes evidências que veio para ficar e isto não somente devido ao crescimento da atividade econômica, mas sim ao grande aumento de ativos financeiros disponíveis para crédito. Vivemos um momento de economia capitalizada e estes ativos, ao não terem mercados suficientes em atividades concentradas, tendem a maior pulverização. Este movimento é claramente percebido quando instituições financeiras passam inclusive a comprar ativos de crédito de atividades e de empresas do varejo.
O crescimento gerado é artificial? Corremos o risco de um default de crédito, a semelhança da bolha das hipotecas nos EUA? A resposta é que risco sempre existe, mas a solidez da economia nacional, do equilíbrio em todos os fatores macro (mesmo que desfavorável em relação a algumas atividades econômicas, como o dólar em relação as exportações), a grande letargia dos últimos 30 anos, o imenso potencial de crescimento interno e a grande capacidade de inserção nas atividades de mercado por populações que historicamente viveram a margem do processo econômico talvez indiquem que podemos pensar, sim, numa fase de crescimento mais equilibrada e contínua da atividade econômica como um todo e da inserção do Brasil na mesma realidade de mercados mais maduros e desenvolvidos. Alguns setores estão à margem desse processo, mas talvez seja hora de reinventarem a si mesmos, a semelhança do que fizeram os setores que tem conseguido crescimentos surpreendentes.
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