Termômetro de Vendas Junho de 2008

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CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS DE CAXIAS DO SUL

Presidente
José Quadros dos Santos

Departamento de Economia e Estatística
Miguel Frederico Fortes - Diretor
Sirlei Bertollo

Termômetro de Vendas Junho de 2008

Ramo/Setor Sobre Mai 2008 Sobre Jun 2007 Acum. no ano Acum. 12 meses
Ferragens (18,24) 9,12 6,00 1,94
Máquinas Equip. p/ Escritório e Informática 30,72 (3,87) 6,34 33,72
Automóveis, Caminhões e Autopeças Novos 17,74 34,65 28,29 26,88
Óticas e Joalherias (30,77) (33,70) (9,00) (3,81)
Materiais de Construção (7,20) 8,30 4,59 (2,45)
Materiais Elétricos 0,22 8,53 20,98 22,72
Eletrodomésticos, Móveis e Bazar (7,92) (2,52) 4,84 (3,97)
TOTAL RAMO DURO 8,80 19,41 18,46 15,72
Vestuário Calçados e Tecidos (13,14) (10,59) (0,94) (1,75)
Produtos Químicos e Farmácias (6,28) 5,54 1,25 3,35
Livrarias, Papelarias e Brinquedos 1,35 (14,06) (2,74) 0,07
TOTAL RAMO MOLE (9,52) (5,85) (0,55) 0,27
COMÉRCIO GERAL 4,05 12,60 12,87 11,09

As vendas do comércio caxiense foram deflacionadas pelo IGP-DI da FGV, que no mês de junho foi de 1,89% e no acumulado dos últimos 12 meses de 13,97%.

O Comércio de Caxias do Sul em junho de 2008 teve um crescimento de 12,60% em relação a junho de 2007, e de 4.05% em relação a maio de 2008, com isso alcançando um crescimento de 12,87% no primeiro semestre de 2008, e de 11.09% em doze meses.

Quanto a este crescimento algumas coisas precisam ser melhor entendidas. A primeira delas é que junho não costuma ter resultado econômico no comércio superior a maio. Como entender o que aconteceu?

Observemos que o desempenho econômico de maio, geralmente o segundo melhor do ano (atrás apenas de dezembro), se deve a troca de estação e ao Dia das Mães. Os setores mais afins desta data, como vestuário e calçados, óticas e joalherias e eletrodomésticos, móveis e bazar, tiveram, contudo, resultado negativo, o primeiro de (10,49%), o segundo de (33,70%), e o terceiro de (2,52%).

Na verdade, na amostra, os setores que tiveram crescimento foram ou o de automóveis, autopeças e caminhões novos, 34,65%, ou então os ligados a construção civil, como materiais de construção, 8,30%, ferragens, 9,12% e materiais elétricos, 8,53%. Todos os demais setores, a exceção de produtos químicos e farmácias, tiveram resultados negativos.

Temos notado que, com raras exceções, esta é uma realidade dos últimos meses. O crescimento do comércio não é uniforme, nem homogêneo.

Mês x Mês ano anterior

Gráfico 1 - desempenho em relação ao mesmo mês no ano anterior

12 meses

Gráfico 2 - desempenho acumulado em relação aos últimos doze meses

Empregos e salários

Ramo/Setor Cresc. Real s/mês anter. Cresc. Real s/mês ano ant.
Ferragens 4,35 15,00
Máquinas e Equipamentos para Escritório 4,76 (8,33)
Automóveis, Caminhões e Autopeças 0,64 12,59
Óticas e Joalherias (3,57) 0,00
Materiais de Construção 2,99 (6,76)
Materiais Elétricos 0,00 6,52
Eletrodomésticos, Móveis e Bazar 0,29 (8,92)
RAMO DURO 0,71 (0,12)
Vestuário e Calçados 1,10 (13,48)
Produtos Químicos e Farmácias 3,01 9,91
Livrarias, Papelarias e Brinquedos 2,54 (0,82)
RAMO MOLE 2,13 (2,70)
COMÉRCIO GERAL 1,42 (1,44)

Houve crescimento de 1,42% na geração de empregos na comparação com o mês de maio de 2008, mas uma queda de 1,44% em relação a junho de 2007.

Inadimplência

Mês/Ano Categoria Registros Valor Cancelam. Valor Diferença +(-)
Jun/07 Cheque 2.645 541.450 2.231 536.716 4.734
SPC 4.288 1.256.521 2.903 811.341 445.180
Subtotal 1 6.933 1.797.971 5.134 1.348.057 449.914
Jun/08 Cheque 2.272 542.303 895 208.104 334.199
SPC 7.458 1.282.940 5.224 1.003.507 279.433
Subtotal 2 9.730 1.825.243 6.119 1.211.611 613.632
Total 2.797 27.272 985 -136.446 163.718

A partir da análise do próximo mês poderemos voltar a fazer uma análise mais detalhada da inadimplência em Caxias do Sul vista que foi a partir de julho de 2007 que mudou a metodologia de formação do banco de dados do SPC.

O que podemos afirmar é que a inadimplência continua a crescer em Caxias do Sul, nos mesmos patamares que nos meses anteriores, entre 20 e 30%. Também a recuperação de crédito continua crescendo, apenas que neste mês ela está num nível menor que nos meses anteriores.

Observações Finais

A tônica continua sendo o crescimento da inflação, que ao nível do varejo é quase o dobro que ao nível do consumidor, tendo o IGP-DI alcançado a marca de 1,89% no mês de junho, e 13,97% em doze meses.

A inadimplência continua crescendo, só sendo esta realidade em parte atenuada pelo também crescimento dos níveis de recuperação de crédito.

Os setores que têm crescido, o automotivo e o ligado a construção civil, são setores altamente influenciados pelo crédito abundante, farto e fácil dado a estes setores. Já vimos este fenômeno antes, entre setembro de 2003 e até meados de 2006, com o setor de eletrodomésticos, que depois viu seu desempenho cair e até negativar.

O crédito ao consumo foi entendido como instrumento de crescimento econômico, bem como de política de distribuição de renda. Foi exitoso nestes dois sentidos. Cabem duas perguntas: como está sendo afetada a liquidez financeira das famílias? Quais os reflexos no comércio como um todo, visto que o crescimento da atividade de consumo tem afetado de maneira desigual o desempenho econômico dos diversos segmentos comerciais?

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