Termômetro de Vendas Julho de 2008

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CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS DE CAXIAS DO SUL

Presidente
José Quadros dos Santos

Departamento de Economia e Estatística
Miguel Frederico Fortes - Diretor
Sirlei Bertollo

Termômetro de Vendas Junho de 2008

Ramo/Setor Sobre Jun 2008 Sobre Jul 2007 Acum. no ano Acum. 12 meses
Ferragens 7,92 15,23 7,40 3,22
Máquinas Equip. p/ Escritório e Informática 0,79 (14,09) 2,36 23,62
Automóveis, Caminhões e Autopeças Novos (5,70) 24,39 27,73 28,59
Óticas e Joalherias 36,70 3,77 (7,39) (3,91)
Materiais de Construção 10,78 21,35 6,78 (0,10)
Materiais Elétricos 11,34 9,51 19,10 20,38
Eletrodomésticos, Móveis e Bazar 3,25 4,51 4,77 (3,22)
TOTAL RAMO DURO (1,79) 15,86 18,10 16,55
Vestuário, Calçados e Tecidos (15,67) (17,34) (3,42) (3,32)
Produtos químicos e farmácias 23,95 10,92 2,86 5,19
Livrarias, Papelarias e brinquedos 7,20 (7,89) (3,42) (1,09)
TOTAL RAMO MOLE 0,64 (5,84) (1,33) (0,07)
COMÉRCIO GERAL (1,24) 10,03 12,46 11,60

As vendas do comércio caxiense foram deflacionadas pelo IGP-DI da FGV, que no mês de julho foi de 1,12% e no acumulado dos últimos 12 meses de 14,82%.

O comércio de Caxias do Sul em julho de 2008 teve um crescimento de 10,03% em relação a julho de 2007, mas queda de (1,24) em relação a junho de 2008. Note-se como o Ramo Mole vem acumulando resultados negativos neste ano, com (5,84%) em relação ao mesmo mês do ano passado, alcançando o acumulado do ano negativo em (1,33%) e (0,07%) ao ano.

Os segmentos que têm puxado o desempenho para cima são aqueles ligados ao forte crescimento da atividade de crédito. Primeiramente o de automóveis, caminhões e autopeças, com 24,39% de aumento, materiais de construção, com 21,35% - mas lembremos que por dois anos este segmento acumulou resultados negativos, de forma que hoje seu desempenho ainda não é igual ao de 2004, materiais elétricos, com 9,51 - interrompendo uma seqüência de crescimentos mais rigorosos na casa dos 20%, e ferragens, com 15,23.

Dos dez segmentos analisados, cinco apresentam resultados negativos em doze meses.

Mês x Mês ano anterior

Gráfico 1 - desempenho em relação ao mesmo mês no ano anterior

12 meses

Gráfico 2 - desempenho acumulado em relação aos últimos doze meses

Empregos e salários

Ramo/Setor Cresc. Real s/mês anter. Cresc. Real s/mês ano ant.
Ferragens (4,17) 15,00
Máquinas e Equipamentos para Escritório 4,55 0,00
Automóveis, Caminhões e Autopeças 4,47 14,74
Óticas e Joalherias 3,70 3,70
Materiais de Construção (4,35) (9,59)
Materiais Elétricos 4,08 15,91
Eletrodomésticos, Móveis e Bazar (2,88) (8,92)
RAMO DURO 0,47 1,30
Vestuário e Calçados 3,55 (9,55)
Produtos Químicos e Farmácias 3,45 9,24
Livrarias, Papelarias e brinquedos 1,65 3,36
RAMO MOLE 3,24 (0,34)
COMÉRCIO GERAL 1,87 0,46

Uma das melhores notícias da realidade empresarial de Caxias do Sul tem sido a continua e crescente criação de novas vagas de trabalho. O comércio de Caxias do Sul acompanha, embora em ritmo menor do que a indústria, este crescimento.

Inadimplência

Mês/Ano Categoria Registros Valor Cancelam. Valor Diferença +(-)
Jul/07 Cheque 2.266 450.347 1.174 248.569 201.779
SPC 8.201 9.293.042 3.536 91.638.383 -82.345.341
Subtotal 1 10.467 9.743.389 4.710 91.886.952 -82.143.562
Jul/08 Cheque 2.130 602.471 1.163 267.402 335.070
SPC 8.527 1.390.763 5.261 1.089.471 301.293
Subtotal 2 10.657 1.993.234 6.424 1.356.872 636.362
Total 190 -7.750.155 1.714 -90.530.079 82.779.924

Conforme havíamos falado ao longo dos doze últimos meses, mudanças na metodologia de inclusão e exclusão no cadastro do SPC fizeram com que houvessem distorções e inconsistências nos dados. Neste mês, porém, temos os dados de forma correta, e, a partir de agora, nossa análise será mais exata.

A inadimplência em julho teve um crescimento de 1,82% em número de casos, mas teve uma diminuição de 79,54% de valor. Ou seja, ao passo que a inadimplência em número de casos teve um crescimento muito abaixo do normalmente registrado, em termos de valor a diminuição foi brutal. Notemos que a diminuição de valor aconteceu nas operações com carnês, não com cheques.

O número de pessoas que recuperou seu crédito cresceu 36,39%, mas seu valor diminui 98,52%. Estes movimentos com fluxos tão acima do geralmente registrado não são normais. Antes de podermos fazer uma análise das possíveis causas precisamos acompanhá-los por um período maior de tempo para entendermos se constituem uma nova normalidade, ou se são exceção. Exceções geralmente são causadas por ajustes em inclusões ou exclusões de grandes empresas, com acertos especiais de passivos.

Considerações Finais

A ciência nunca é uma atividade neutra, ela sempre está a serviço de alguém, de um objetivo, de um ideal, de alguma política. Da mesma forma assim o é com uma análise econômica. Por isso ficamos atônitos com o fato de que um mesmo dado pode ser analisado e entendido de formas tão antagônicas.

Ao vermos os simples dados desta amostra a pergunta que fica é: o comércio de Caxias do Sul pode comemorar um grande crescimento?

A resposta não é simples. Há segmentos que sim. Assim como acontece no Brasil como um todo, o setor automotivo e da construção cresce em termos muito fortes, levando a que as indústrias destes segmentos já planejem novas plantas industriais. Ao mesmo tempo, estes setores são os que mais sofrem o crescimento dos preços de seus insumos e de seus produtos. É sabido que o setor de automóveis trabalha sem lucro na venda destes, seus rendimentos vêm dos serviços prestados em suas mecânicas. No setor da construção civil algo semelhante acontece, onde os produtos de maior volume - como cimento e aços de construção - não apresentam margens de lucro (para muitos o lucro nestes produtos esta no frete). Já vimos estes fenômenos acontecerem no setor de eletrodomésticos, e após um período de dois anos e meio ele acabou, sendo substituído por um período de dificuldade destas empresas, vejamos o que tem acontecido com a venda de algumas delas, a assunção de suas carteiras de crédito por bancos e mesmo o fechamento. Estes segmentos, movidos por grandes volumes de crédito, apresentam ciclos, deles o mais longo costuma ser da construção civil, no caso do Brasil o de transportes pesados, devido ao seu grande déficit, também tende a durar mais tempo.

Os setores de bens de consumo não duráveis tem uma realidade mais frágil. O custo da mercadoria vendida aos lojistas oscila entre 54 e 65% por cento (estas são médias, a setores que trabalham um pouco a baixo, mas outros acima), financiam com capital próprio 60% do que vendem, tem um custo tributário de 24% (alguns 32%), uma perda de 4%, e custo da mão de obra empregada, entre salários e contribuições sociais, de até 28%. Com uma inflação de 14,82% pelo IGP-DI, o que sobra?

Dados coletados no mercado financeiro apontam que 75% das empresas de Caxias do Sul estão endividadas acima da soma total de seus ativos. Ou seja, devem muito mais do que tudo que possuem.

A inflação que tanto corroe o bolso do trabalhador, tem seus índices dobrados nas atividades empresariais comerciais. O crédito tão farto e alongado aos consumidores e mais escasso, caro e em menor tempo para as empresas comerciais, que continuam sendo tratadas como o patinho feio da economia.

Esta análise é negativa? Não. É real. Aponta alguns quadros positivos. Mais crédito para a atividade de consumo é positivo, sua concentração em alguns setores não. Crescimento da atividade comercial é positivo, mas não é se só se concentra em alguns setores, e se não está ligado a crescimento da rentabilidade destas empresas. Todos sabem que grandes fluxos de faturamento nada significam se acarretarem em pouco ou nenhum resultado de liquidez e estiverem ligados a endividamento parem serem mantidos. O crescimento pode quebrar uma empresa.

A conclusão é ambígua: vivemos em nossa cidade uma fase de crescimento econômico sólida, onde nada aponta no curto e médio prazo diminuição. Com os novos empregos gerados, com o crescimento da massa salarial, o capital possivelmente alocado ao consumo, mesmo com a elevação de preços e comprometimento com financiamentos, deve crescer substancialmente. A inadimplência continua significativamente baixa, e os níveis de recuperação de crédito muito bons. A baixa liquidez, a excessiva concorrência, a guerra de preços, os altos juros e o alto volume de comprometimento, quer fiscal, devido a imensa carga tributária e social arcada pelas empresas, quer de financiamentos, compromete significativamente o resultado das empresas. Grandes cuidados são necessários neste momento. Cada custo deve ser muito bem pensado com risco de comprometer a própria atividade no médio prazo.

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