Termômetro de Vendas Setembro de 2008

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CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS DE CAXIAS DO SUL

Presidente
José Quadros dos Santos

Departamento de Economia e Estatística
Miguel Frederico Fortes - Diretor
Sirlei Bertollo

Termômetro de Vendas Setembro de 2008

Ramo/Setor Sobre Ago 2008 Sobre Set 2007 Acum. no ano Acum. 12 meses
Ferragens 5,69 8,63 4,83 3,21
Máquinas Equip. p/ Escritório e Informática 32,66 -8,60 -4,26 7,30
Automóveis, Caminhões e Autopeças Novos -4,87 21,81 25,01 26,57
Óticas e Joalherias -2,03 -8,94 -9,00 -6,56
Materiais de Construção 3,36 13,59 7,97 4,26
Materiais Elétricos 3,60 43,55 21,30 22,63
Eletrodomésticos, Móveis e Bazar -1,16 7,45 5,13 -0,80
TOTAL RAMO DURO -1,80 16,52 16,64 16,06
Vestuário, Calçados e Tecidos -15,95 -18,04 -6,94 -6,74
Produtos químicos e farmácias -1,19 -16,25 -0,36 3,25
Livrarias, Papelarias e brinquedos -12,02 -1,87 -4,79 -3,33
TOTAL RAMO MOLE -9,32 -15,77 -4,29 -2,82
COMÉRCIO GERAL -3,56 7,47 10,63 10,52

As vendas do comércio caxiense foram deflacionadas pelo IGP-DI da FGV, que no mês de agosto foi de (O,36%) e no acumulado dos últimos 12 meses de 11,91%.

O comércio de Caxias do Sul em setembro de 2008 sofreu uma retração de 3,56% em relação a agosto de 2008, porém teve um desempenho superior em 7,47% quando comparado a setembro de 2007, acumulando nos nove meses de 2008 10,63% de crescimento e 10,52% nos últimos 12 meses.

Desde fevereiro deste ano a atividade comercial não mostrava uma retração tão forte em nossa amostra de empresas, quando o indicador do Comércio em Geral caiu 4,94% em relação ao mês anterior. A fraco desempenho foi concentrado no Ramo Mole, que apresentou retração de 9,32% quando comparado com o mês anterior. O destaque positivo nessa base de comparação foi o setor de Máquinas e Equipamentos para Escritório que apresentou variação fortemente positiva de 32,66%. Outro ponto de destaque não tão favorável foi o índice de inflação medido pela Fundação Getulio Vargas - IGP-DI - utilizado como deflator para nossa série histórica, que voltou a apresentar variação positiva de 0,36% em setembro, anulando o efeito da deflação observada no mês de agosto.

É um pouco preocupante a performance do Ramo Mole e de alguns subsetores do Ramo Duro, que demonstram resultados negativos no acumulado do ano quando comparados ao mesmo período anterior, como o próprio setor de Máquinas Equipamentos para Escritório e Informática (a despeito de ter sido o destaque no comparativo mensal), e os setores de Óticas e Joalherias, Vestuário Calçados e Tecidos, Produtos Químicos e Farmácias e de Livrarias, Papelarias e Brinquedos. Com esses desempenhos, o acumulado em 12 meses do Ramo Mole já está no terreno negativo e, o que é mais preocupante, em tendência de queda desde o mês de fevereiro, como se pode observar claramente nos gráficos abaixo.

Mês x Mês ano anterior

Gráfico 1 - desempenho em relação ao mesmo mês no ano anterior

12 meses

Gráfico 2 - desempenho acumulado em relação aos últimos doze meses

Empregos e salários

Ramo/Setor Cresc. Real s/mês anter. Cresc. Real s/mês ano ant.
Ferragens 0,00 0,00
Máquinas e Equipamentos para Escritório -4,35 -8,33
Automóveis, Caminhões e Autopeças -0,93 5,26
Óticas e Joalherias 4,00 -7,14
Materiais de Construção -1,54 -11,11
Materiais Elétricos 1,96 18,18
Eletrodomésticos, Móveis e Bazar 1,20 -5,06
RAMO DURO 0,12 -0,71
Vestuário e Calçados -0,80 -7,04
Produtos Químicos e Farmácias -0,25 8,38
Livrarias, Papelarias e brinquedos 11,57 21,62
RAMO MOLE 1,12 3,07
COMÉRCIO GERAL 0,63 1,21

Com relação ao aparente enfraquecimento da tendência altista nos resultados acumulados de 12 meses do Comércio em Geral (e da má-performance em 2008 do Ramo Mole especificamente), o número de vagas de trabalho ativas na amostragem de empresas observadas no comércio caxiense vem se mantendo com saldo positivo. Exceção a ser feita quando analisados alguns setores isoladamente, como é o caso de Materiais de Construção e Óticas e Joalherias, que apresentam os saldos mais negativos em relação ao ano anterior.

Inadimplência

Mês/Ano Categoria Registros Valor Cancelam. Valor Diferença +(-)
Set/07 Cheque 1.593 353.182 2.945 532.075 (178.894)
SPC 5.939 2.488.340 3.965 864.905 1.623.435
Subtotal 1 7.532 2.841.522 6.910 1.396.981 1.444.541
Set/08 Cheque 1.837 452.780 985 247.166 205.614
SPC 1.617 488.340 996 237.121 251.219
Subtotal 2 8.213 3.724.691 5.214 1.463.517 2.261.174
Total 681 883.169 (1.696) 66.536 816.633

Corroborando a queda no desempenho mensal do comércio, observamos uma redução no número de pedidos de informações ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e de consultas ao Ligcheque. Em contrapartida, o número de inclusões e os valores dos registros apresentaram crescimento substancial em relação ao mesmo mês do ano passado.

Os valores de inclusão cresceram nominalmente 31,08%, enquanto que os valores de cancelamentos aumentaram apenas 4,76%, fazendo com que o saldo de registros crescesse 56,53%. Esse dado, quando analisado em um cenário de restrição de crédito e redução de liquidez no sistema financeiro traz bons motivos para cautela quanto aos resultados futuros e de incerteza para o final do ano, apesar do otimismo oficial nas declarações do Presidente da República e sua equipe econômica quanto ao sucesso das festas de final de ano de 2008.

Considerações Finais

No TV anterior havíamos comentado brevemente sobre a dificuldade de avaliar cenários em meio à turbulência nos mercados. O mês de setembro veio trazer um agravamento neste quadro, com sérias preocupações em relação à capacidade de contágio da crise financeira internacional sobre as economias, mormente as dos países emergentes, fortemente calcadas na exportação de bens primários e semimanufaturados e normalmente mais sensíveis a volatilidade cambial.

O comércio caxiense, embora continue performando no terreno positivo em relação ao ano de 2007, já demonstra algumas fraquezas pontuais em setores específicos, e apresentou dados referentes ao crédito que mostram um indício de reversão na tendência positiva que vinha sendo seguida até agosto.

Como se não bastasse, aliado a isto surge uma insegurança em relação aos rumos do câmbio e aos efeitos deletérios deste sobre os índices de inflação, o que pode fazer com que a autoridade monetária se coloque em posição ainda mais defensiva com relação à condução da política monetária.

Sabemos que o Governo Federal optou por incentivar o consumo via crédito para reaquecer a economia, ao mesmo tempo em que manteve a taxa de juros elevada com intuito de se auto-financiar pela emissão de títulos públicos, além de utilizar esta ferramenta de política monetária para tentar manter a inflação dentro da meta. Agora, num momento em que o mundo atravessa uma crise de liquidez e de confiança no sistema financeiro, o Banco Central pode ficar numa "sinuca de bico" entre continuar o lento processo de redução da Selic, ou ter que endurecer a política monetária caso a desvalorização cambial afete os índices de preços.

Na hipótese de se observar a nível nacional uma elevação na inadimplência, os agentes financeiros e as redes lojistas poderão optar por encurtar e encarecer o crédito, o que pode fazer com que o poder de compra do mercado interno fique bastante reduzido e cause um desaquecimento na economia bem mais forte do que o otimismo oficial deixa transparecer.

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