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Presidente
José Quadros dos Santos
Departamento de Economia e Estatística
Miguel Frederico Fortes - Diretor
Sirlei Bertollo
| Ramo/Setor | Sobre Jan 2009 | Sobre Fev 2009 | Acum. no ano | Acum. 12 meses |
|---|---|---|---|---|
| Ferragens | 14,95 | 10,35 | 2,87 | 3,16 |
| Máquinas Equip. p/ Escritório e Informática | 28,15 | 96,54 | 50,29 | 0,04 |
| Automóveis, Caminhões e Autopeças Novos | -6,18 | -11,32 | -11,08 | 7,38 |
| Óticas e Joalherias | -8,01 | -38,08 | -28,34 | -13,59 |
| Materiais de Construção | 2,40 | -12,99 | -14,05 | 1,69 |
| Materiais Elétricos | -6,65 | -41,44 | -38,38 | 2,03 |
| Eletrodomésticos, Móveis e Bazar | 15,37 | -21,10 | -21,52 | 2,41 |
| TOTAL RAMO DURO | 1,37 | -13,22 | -13,83 | 4,96 |
| Vestuário Calçados e Tecidos | 0,93 | -5,25 | -30,12 | -19,62 |
| Produtos Químicos e Farmácias | -11,16 | -1,06 | -3,18 | -0,51 |
| Livrarias, Papelarias e Brinquedos | 63,80 | -11,07 | -15,86 | -12,17 |
| TOTAL RAMO MOLE | 9,91 | -5,98 | -18,13 | -11,89 |
| COMÉRCIO GERAL | 3,65 | -11,29 | -15,05 | 0,16 |
As vendas do comércio caxiense foram deflacionadas pelo IGP-DI da FGV, que no mês de fevereiro foi de -0,13% e no acumulado dos últimos 12 meses de 7,50%.
O Comércio de Caxias do Sul em fevereiro de 2009 teve um crescimento de 3,65% em relação a janeiro de 2009, em 2008 a comparação entre fevereiro e janeiro foi de queda de 4,94% (ou seja fevereiro foi -4,94% em relação a janeiro). Essa comparação nos levou a fazer uma análise desde fevereiro de 2001, e os resultados das comparações entre fevereiro e janeiro do mesmo ano são os seguintes por ano:
Historicamente fevereiro tem resultado menor que janeiro, nos anos em que esta positivo reflete períodos no qual uma crise financeira abalou o país no segundo semestre do ano anterior (2003 primeiro ano do governo Lula, influenciado pela crise na eleição de 2002). Em 2005, com a quebra da safra, a crise começa em abril. Ou seja, em anos de crescimento econômico ou estabilidade o desempenho em fevereiro é menor que em janeiro. Quando a crise se dá no primeiro semestre afeta menos o resultado do ano, pois o segundo semestre tem resultado econômico maior que o primeiro e, consequentemente, sua recuperação é mais rápida. Quando mais perto do segundo semestre e quanto mais perto do final do ano maiores são os reflexos para o próximo ano e maior o período de duração da mesma, pois forma um ciclo mais demorado de reação.
O desempenho em relação a fevereiro de 2008 foi de (11,29%), puxado mais fortemente pelo Ramo Duro, especialmente dos setores ligados à construção civil (com exceção de ferragens) e a eletrodomésticos. O desempenho do setor de automóveis deve ser lido sobre outro viés. O resultado financeiro das vendas inferior é explicado pela inflação - 7,50% -, ou seja, mesmo que o valor nominal seja o mesmo o valor real fica 7,50% menor, mas também e, principalmente, pela redução dos preços (devido à redução do IPI e a políticas de redução das empresas) e pela maior venda em volume de carros populares, uma tendência diferente da observada nos outros anos quando o que estava crescendo era o comércio de carros com maior valor agregado. Ou seja, se vendeu em volume, mas o faturamento caiu.
O Ramo Mole continua em queda, mostrando que as preferências de consumo não migraram para bens de menor valor, como acreditava-se com a redução das operações de crédito. Pesquisas têm mostrado que os setores que continuam crescendo são os de menor custo de aquisição, mas entre estes os de alimentação e medicamentos, não outros.
Gráfico 1 - desempenho em relação ao mesmo mês no ano anterior
Gráfico 2 - desempenho acumulado em relação aos últimos doze meses
| Ramo/Setor | Cresc. Real s/mês anter. | Cresc. Real s/mês ano ant. |
|---|---|---|
| Ferragens | 0,00 | 4,35 |
| Máquinas e Equipamentos para Escritório | -34,78 | -40,00 |
| Automóveis, Caminhões e Autopeças | -0,32 | -0,64 |
| Óticas e Joalherias | 3,70 | 0,00 |
| Materiais de Construção | 1,61 | -3,08 |
| Materiais Elétricos | -1,82 | 12,50 |
| Eletrodomésticos, Móveis e Bazar | -1,47 | -8,94 |
| RAMO DURO | -1,54 | -4,60 |
| Vestuário e Calçados | -0,27 | 0,81 |
| Produtos Químicos e Farmácias | 0,00 | 19,30 |
| Livrarias, Papelarias e Brinquedos | -0,69 | 6,72 |
| RAMO MOLE | -0,21 | 9,59 |
| COMÉRCIO GERAL | -0,83 | 2,52 |
Interessante perceber que houve crescimento nos empregos gerados na amostra de 2,52% em relação a fevereiro do ano anterior.
| Fev/09 | Jan/09 | Dez/08 | |
|---|---|---|---|
| PIs SPC FORNECIDOS | 62.890 | 54.146 | 71.926 |
| LIGCHEQUE | 49.139 | 40.513 | 16.791 |
| SPC + LIGCHEQUE | 112.029 | 94.659 | 88.717 |
Esta tabela também fornece um dado interessante, as informações de crédito, que servem como balizadoras da percepção de como anda a concessão de crédito apontam um crescimento constante. Fevereiro teve um crescimento de 18,35% em relação a janeiro, janeiro teve um crescimento de 6,97% em relação a dezembro. O curioso é que a busca para informação de concessão de crédito, que em si serve de parâmetro para a concessão de crédito levam a conclusão lógica de: mais informação pedida = mais crédito concedido.
Ao mesmo tempo temos a constatação de que como 70% do que é comercializado em Caxias do Sul é a crédito, também deduziríamos que: mais crédito concedido = mais produtos comercializados.
Mas neste caso específico o crescimento de informações de crédito não significou crescimento de faturamento de vendas. Isto nos leva a várias hipóteses: diminuição das vendas à vista (sabemos que em dezembro as vendas à vista cresceram 25%); maior participação de compras de menor valor; maior cuidado dos lojistas em conceder crédito
| Mês/Ano | Categoria | Registros | Valor | Cancelam. | Valor | Diferença +(-) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Fev/08 | Cheque | 1.825 | 412.600 | 908 | 214.794 | 197.806 |
| SPC | 4.938 | 894.035 | 4.335 | 902.853 | -8.818 | |
| Subtotal 1 | 6.763 | 1.306.635 | 5.243 | 1.117.648 | 188.988 | |
| Fev/09 | Cheque | 1.926 | 508.514 | 731 | 177.418 | 331.096 |
| SPC | 5.646 | 1.974.000 | 3.241 | 1.539.050 | 434.950 | |
| Subtotal 2 | 7.572 | 2.482.514 | 3.972 | 1.716.468 | 766.046 | |
| Total | 809 | 1.175.879 | -1.271 | 598.820 | 577.059 | |
Em fevereiro tivemos um aumento de 11,96% na inadimplência em Caxias do Sul em número de casos, mas de 90% em valores.
Para compreendermos melhor isto precisamos primeiro entender melhor a questão dos valores financeiros na inclusão. A atual legislação só permite que seja registrado o valor da parcela não paga. Com isso, temos uma distorção, pois não há uma consolidação exata do valor não pago. Assim o que temos aqui são quanto a cheques os valores totais a descoberto, mas em relação ao SPC só da parcela inclusa.
Não obstante a isto, podemos perceber os seguintes perfis:
Em relação ao cheque: houve um crescimento de 5,53% no número de cheques sem fundo, inferior, portanto, ao que está acontecendo no resto do país. Em termos de valores houve um crescimento de 23,24%. Em 2008 o valor médio dos cheques registrados foi de R$ 226,08, em 2009 foi de R$ 264,02, um crescimento de 16,78%.
Em relação ao SPC (leia-se em sua maioria carnês e demais títulos de cobrança): houve um crescimento de 14,33% em casos, e de 120,75% em valor. O valor médio em 2008 foi de R$ 181,05, e em 2009 R$ 349,62, um crescimento de 93,10%.
Isto, aliado ao fato de que as operações com cheque têm diminuído, nos dá um quadro sobre a realidade da inadimplência.
Em termos de recuperação de crédito houve uma diminuição de 24,24%, na contramão da tendência dos últimos 12 meses, e também num dos maiores resultados negativos observados nos últimos cinco anos, mas cresceu em 53,57%. A explicação disto em parte esta nas observações que fizemos quanto à inadimplência. Também nos leva a percepção que o aumento do endividamento das famílias além de comprometer percentual maior da renda das famílias está ligado a valores maior de parcela e/ou bem. O que a análise destes números não nos diz, mas depreendemos de outras pesquisas, é que além de maior em volume financeiro também está comprometida por período (tempo, prazo) maior.
Dessas análises depreendemos que as atividades de crédito estarão limitadas não só ao menor volume de crédito oferecido, e em mesmo que este volte a maiores patamares o número de pessoas com restrição de crédito e o comprometimento da renda das famílias em termos de valor e prazo tende a se refletir em menor busca de crédito para consumo por parte das famílias.
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