Termômetro de Vendas Maio de 2009

Logotipo CDL CaxiasSPC

CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS DE CAXIAS DO SUL

Presidente
José Quadros dos Santos

Departamento de Economia e Estatística
Miguel Frederico Fortes - Diretor
Sirlei Bertollo

Termômetro de Vendas Maio de 2009

Ramo/Setor Sobre Abr 2009 Sobre Mai 2009 Acum. no ano Acum. 12 meses
Ferragens -2,75 -31,47 -9,05 -3,20
Máquinas Equip. p/ Escritório e Informática -0,74 68,61 49,79 12,22
Automóveis, Caminhões e Autopeças Novos -5,15 -29,07 -13,65 -1,80
Óticas e Joalherias -7,76 34,00 0,32 -8,47
Materiais de Construção -4,59 -22,23 -18,54 -5,25
Materiais Elétricos -18,74 -24,94 -28,14 -6,17
Eletrodomésticos, Móveis e Bazar -4,80 -1,13 -9,29 1,11
TOTAL RAMO DURO -5,54 -17,49 -10,97 -0,83
Vestuário Calçados e Tecidos 4,96 -33,01 -28,35 -23,95
Produtos Químicos e Farmácias 14,80 -6,77 -3,36 -1,37
Livrarias, Papelarias e Brinquedos -13,76 -12,39 -15,14 -13,32
TOTAL RAMO MOLE 6,43 -22,21 -17,68 -14,45
COMÉRCIO GERAL -2,83 -18,71 -12,76 -4,57

As vendas do comércio caxiense foram deflacionadas pelo IGP-DI da FGV, que no mês de maio foi de 0,18% e no acumulado dos últimos 12 meses de 2,98%.

O comércio de Caxias do Sul obteve um resultado negativo em maio de 2009 em relação a abril de 2009 de (2,83%), na relação com maio de 2008 o desempenho também foi negativo, (18,71%).

Este resultado não é comum, via de regra maio é o segundo melhor mês do ano em faturamento, estando abaixo apenas de dezembro. Tal resultado demonstra a continuação do processo de desacelaração econômica do comércio iniciada em setembro de 2008. São três trimestres de desempenho negativo.

Dois setores não tiveram desempenho negativo em relação a abril, Vestuário, Tecidos e Calçados, que cresceu 4,96%, embora na relação com maio de 2008 tenha diminuído 33,01%, e Produtos Químicos e Farmácias, que cresceu 14,80% em relação a abril, mas diminuiu 12,39% em relação a maio de 2008. Eletrodomésticos também teve desempenho negativo em relação a abril, mas seu desempenho em relação a maio de 2008 foi de apenas 1,13%, a explicação disso está que em abril, quando passou a vigorar a redução de IPI na linha branca houve forte crescimento, na comparação com maio de 2008, se descontarmos a inflação de 2,98%, veremos que o desempenho em termos nominais foi em 2009 superior a 2008, lembrando que em 2008 o resultado foi o maior crescimento desde que se fazem as medições, foi o auge do período de crescimento.

Automóveis têm desempenho financeiro negativo, embora com aumento do número de unidades vendidas, e isso se deve ao menor valor dos veículos comercializados, tanto pelas reduções, quanto pela mudança de modelo de automóveis comprados que passaram, durante este ano, a voltarem a ser os mais populares, enquanto no ano passado foram de maior patamar. Percebamos que nos carros de maior valor, a redução em alguns modelos, na relação com 2008 chegou a ser maior do que 30%.

Os segmentos ligados a construção civil continuam negativos, mostrando que as medidas de redução tributária ainda não estimularam o consumidor final, estão mais relativas à indústria da construção civil que continua investindo em níveis consideráveis dado o período de instabilidade econômica que vivemos.

Somente um setor teve resultado positivo em relação a maio de 2008, o de óticas e joalherias, 34%, e seu resultado negativo em relação a abril se deve ao fato que neste mês este segmento havia crescido 72%.

Dois setores continuam mantendo resultado positivo nos 12 meses, Máquinas e Equipamentos para Escritório e Informática, com 12%, e Eletrodomésticos, Móveis e Bazar com 1,11%.

Mês x Mês ano anterior

Gráfico 1 - desempenho em relação ao mesmo mês no ano anterior

12 meses

Gráfico 2 - desempenho acumulado em relação aos últimos doze meses

Empregos e salários

Mês Indústria/ Construção Civil Comércio Serviços / Outros Total
  Total Mensal Variação Mensal Total Mensal Variação Mensal Total Mensal Variação Mensal Total Mensal Variação Mensal
Jun/08 84.083 831 21.946 107 43.644 144 149.673 1.082
Jul/08 84.773 690 21.962 16 43.779 135 150.514 841
Ago/08 85.215 442 21.990 28 44.199 420 151.404 890
Set/08 85.964 749 22.200 210 44.507 308 152.671 1.267
Out/08 85.981 17 22.456 256 44.980 473 153.417 746
Nov/08 84.436 -1.398 22.834 378 45.268 288 152.538 -879
Dez/08 82.152 -2.284 22.636 -198 44.527 -741 149.315 -3.223
Jan/09 81.123 -1.029 22.687 51 45.261 734 149.071 -244
Fev/09 79.978 -1.145 22.697 10 45.665 404 148.340 -731
Mar/09 77.864 -2.114 22.616 -81 45.759 94 146.239 -2.101
Abr/09 77.582 -282 22.718 102 45.833 74 146.133 -106
Mai/09 77.051 -531 23.042 324 45.832 -1 146.133 208
Acum. Ano   -5.101   406   1.305   -3.390
Acum. 12 meses   -6.054   1.203   2.332   -2.666

O comércio de Caxias do Sul teve um crescimento na geração de emprego de 1,45%, tendo crescido em 324 novos postos de trabalho, no ano cresceu 1,79%, com 406 novos postos de trabalho, em 12 meses este crescimento foi de 5,48%, com um acréscimo de 1.203 novos postos de trabalho. Nestes 12 meses a indústria diminuiu 7,20% seus postos de trabalho, num total de 6.054 postos a menos, isto fez com que apesar do crescimento do comércio e dos serviços (que cresceu 5,34%, com 2.332 novos postos de trabalho) o nível de empregabilidade em Caxias do Sul tenha diminuído em 1,78%, ou menos 2.666 postos de trabalho.

Hoje comércio e serviços empregam 68.874 pessoas, e a indústria 77.051. Em termos de postos de trabalho comércio e serviços empregam hoje 10,61% menos que a indústria, ou seja são 8.177 postos de trabalho a menos, há 12 meses esta diferença era de 22%, ou menos 18.493.

Inadimplência

  Mai/09 Abr/09 Mar/09
PIs SPC FORNECIDOS 56.637 51.162 50.930
LIGCHEQUE 15.221 14.481 14.537
SPC + LIGCHEQUE 71.858 65.643 65.467

Em maio houve um crescimento das consultas do SPC de 9,47%, apesar da atividade econômica menor. A explicação disso é que os setores que tiveram ou resultado negativo ou resultado semelhantes são setores onde a concessão de crédito é mais pulverizada. O que queremos dizer com isso, setores como o de automóveis movimentam volumes financeiros maiores, mas são operação realizadas por um número reduzido de empresas e um número reduzido de consumidores. 200 vendas de automóveis podem corresponder a mais de 50 mil operações de outras atividades de varejo.

Mês/Ano Categoria Registros Valor Cancelam. Valor Diferença +(-)
Mai/08 Cheque 1.961 504.927 946 208.538 296.390
SPC 8.140 1.474.640 5.092 1.007.934 466.706
Subtotal 1 10.101 1.979.568 6.038 1.216.472 763.096
Mai/09 Cheque 1.799 643.530 724 189.604 453.927
SPC 11.091 3.676.970 5.062 1.187.981 2.488.989
Subtotal 2 12.890 4.320.500 5.786 1.377.585 2.942.916
Total 2.789 2.340.933 -252 161.113 2.179.820

Houve um crescimento da inadimplência em maio de 2009 de 27,61% em relação a maio de 2008, um resultado muito expressivo especialmente se lembrarmos que houve queda da atividade econômica. Se analisarmos a questão valor este crescimento foi ainda maior, de 118,25%, tendo o valor de prestação ou cheque devido médio passado de R$ 195,98, para R$ 335,18, um crescimento de 71,02%.

A recuperação de crédito diminuiu em 4,17% no período observado, em termos de valor esta diminuição é de 13,24%.

Considerações Finais

O quadro econômico no que diz respeito ao comércio tem elementos muito preocupantes. Um maio de baixo desempenho, dentro de três trimestres de desempenho negativo, significa grave problema de equilíbrio econômico e financeiro para as empresas. O primeiro semestre, geralmente mais fraco que o segundo, representando 40% do que é comercializado no ano, consegue um equilíbrio com um bom desempenho de maio. Isto não aconteceu.

Quais elementos levaram a isto: ausência do frio, continuação da crise econômica, diminuição da atividade econômica, queda da renda das famílias, endividamento das famílias, queda do nível de confiança do consumidor, o que mais e em que relação ou proporção, são questões a serem melhor averiguadas.

O que percebemos é que um é o discurso do Governo, de certas entidades e sua ressonância pela mídia, outra é a realidade enfrentada pelo comércio. Neste a crise vem se agravando, embora, precise ser dito, o resultado de junho, pelas análises prévias pode trazer alguma surpresa positiva.

A maior parte das empresas comerciais não é afetada pelas políticas de incentivo de ordem tributárias, e em termos financeiros, visto que em sua maioria são micro e pequenas empresas, o sistema financeiro tem sido verdadeiro carrasco para o setor, as medidas anunciadas de diminuição de exigências e de maior facilidade de acesso ao crédito não estão sendo praticadas pelos agentes financeiros. O crescimento da inadimplência ainda piora este quadro de descapitalização das empresas.

Uma pergunta, porém, ressoa com especial força: Como e por que com tudo isto o comércio continua gerando empregos? E esses em número expressivo?

Será que isto demonstra que apesar do canto da sereia que cerca a indústria, comércio e serviços são os agentes mais dinâmicos, constantes e pró-ativos da economia?

Independentemente da resposta que dermos, que de uma forma ou outra consistirá na emissão de um juízo de valor e não necessariamente de uma síntese objetiva, os dados mostrados mostram várias coisas: 1) Em tempos de crise o comércio contrata, não demite. 2) Em tempos de escassez de crédito as empresas comerciais continuam cortando de sua própria carne para conceder crédito. 3) Em tempos de redução de investimento o comércio investe mais pata buscar compensar o prejuízo. 4) As micro e pequenas empresas são a grande maioria no comércio, mais de 75%, e estas são as que mais dificuldades têm em todas as suas negociações, inclusive com os fornecedores que costumam as ignorar. Inclusive o governo, no caso o estadual, neste ano as prejudicou tremendamente ao instituir de forma generalizada a cobrança de diferença de alíquota financeira na fronteira do estado, um ato imoral e ilícito, que onerou em mais de cinco pontos percentuais a carga tributária destas empresas, e que com a implementação da Substituição Tributária tem onerado ainda mais, ou seja, em época de crise ao invés de aliviar a pressão tributária ele a aumenta. Não seria a hora de rever as políticas para o comércio? Melhor dizendo, não seria a hora de perceber a realidade do comércio e criar uma política econômica que o impulsionasse?

Enquete

Associado: indique seu nível de satisfação geral em relação a CDL.


Painel de Empresas Associadas

Encontre as empresas do comércio caxiense

Roteiro para inclusão de sua empresa.

MAP GROUP PARTICIPAC

Publicações CDL

Perfil Institucional

Câmara de Dirigentes Lojistas de Caxias do Sul
Rua Sinimbu, 1415 - Palácio do Comércio - Centro - Cx. Postal 740
Caxias do Sul - RS - Fone (54) 3209-9977 - Fax (54) 3209-9969
TUA Tecnologia